A (in)visibilidade social da poluição por agrotóxicos nas práticas de rizicultura irrigada: síntese de um estudo de percepção de risco em comunidades sediadas na zona costeira de Santa Catarina

Marina Favrim Gasparini, Paulo Freire Vieira

Resumo


A partir do enfoque ecossistêmico em saúde, este artigo apresenta uma reflexão sobre os diversos riscosprovocados pelo uso descontrolado de substâncias químicas na produção de alimentos na zona costeirabrasileira. Mais precisamente, apresenta as principais conclusões de um estudo de percepção de riscosda produção de arroz irrigado em duas bacias hidrográficas localizadas na zona costeira centro-sul deSanta Catarina. A metodologia utilizada nesse estudo levou em conta uma avaliação ecotoxicológica(para mensurar parte dos componentes objetivos da situação de risco), seguida por um diagnóstico depercepção de riscos para orientar a análise dos depoimentos dos atores sociais (stakeholders) envolvidosna gestão dos recursos naturais: moradores locais, produtores rurais e agentes governamentais.As evidências recolhidas sugerem que a população local parece estar ciente – mas indiferente – ao quediz respeito aos efeitos negativos à saúde humana – e dos demais seres vivos – decorrentes do padrãodominante de cultivo irrigado de arroz. Entretanto, os fatores estruturais responsáveis pela reproduçãodeste tipo de agroecossistema permanecem difusos ou invisíveis. Esta lacuna tem sido reforçada sistematicamentepelos agentes governamentais em diversas escalas do sistema de gestão da zona litorâneae pelos meios de comunicação de massa. Entre os rizicultores prevalece uma atitude de minimização sistemática dos riscos de intoxicação e os agentes governamentais tendem a reproduzir a mesma lógicados empresários ligados ao sistema internacional de produção e difusão dos produtos agroquímicos.Frente a estes desafios, os autores sugerem uma aplicação mais incisiva do princípio da precaução nocampo da gestão integrada e participativa da zona litorânea para neutralizar a ideologia dominante decrescimento econômico “a qualquer custo”, que viola o direito inalienável das comunidades locais deviver com saúde em ambientes saudáveis e avançar na trilha do ecodesenvolvimento.

Palavras-chave


saúde ecossistêmica; percepção de risco; princípio da precaução

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Desenvolvimento e Meio Ambiente. ISSN: 1518-952X, eISSN: 2176-9109