Sobre a coesão do texto dos surdos aos olhos dos ouvintes: o uso das marcas de oralidade na escrita

Wagner Teobaldo Lopes de Andrade, Marígia Ana de Moura Aguiar, Francisco Madeiro, Sandra Patrícia Ataíde Ferreira, Antonio Roazzi

Resumo


O fato de os surdos utilizarem a língua de sinais, que lhes promove naturalmente o acesso ao conhecimento, em geral, leva a dificuldades para ler e escrever, tendo em vista que esta leitura e esta escrita são produzidas em uma língua que não é a sua: a língua padrão do país. Sendo as marcas de oralidade favorecedoras da coesão textual, a pergunta norteadora deste estudo foi: o fato de utilizar marcas de oralidade na escrita faz com que esta seja mais compreensível? Objetivou-se, portanto, investigar a compreensão, por ouvintes, do texto escrito por surdos, em função da ocorrência de tais marcas na escrita. Fragmentos de escrita com mais de uma marca, com uma marca e sem marca de oralidade, produzidos por surdos, além de fragmentos produzidos por ouvintes, foram apresentados a estudantes universitários ouvintes, que atribuíram escores aos fragmentos em função da compreensão do conteúdo. Foi verificado que os fragmentos referidos como de conteúdo mais compreendido foram os produzidos por ouvintes, seguidos dos com mais de uma marca de oralidade produzidos por surdos; os menos compreendidos foram os sem marca de oralidade produzidos por surdos. O estudo sugere que as marcas de oralidade promoveram a coesão textual dos surdos, facilitando a compreensão do conteúdo da sua escrita por ouvintes.

 

Palavras-chave: surdez; oralidade; escrita; coesão textual.


Palavras-chave


surdez; oralidade; escrita; coesão textual

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Interação em Psicologia. ISSN: 1981-8076