Um retrato dos filhos de criação na imprensa brasileira

Adriana Pellanda Gagno, Lidia Natalia Dobrianskyj Weber

Resumo


A prática conhecida como filho de criação ou circulação de crianças é encontrada em vários lugares do mundo, inclusive no Brasil. Diferente do filho adotivo, cuja relação de filiação é substitutiva à relação dada biologicamente, o filho de criação possui uma relação de filiação aditiva. Considerando a centralidade dos meios de comunicação de massa na cultura contemporânea, objetivou-se com esta pesquisa descrever e analisar as representações relativas aos filhos de criação veiculadas por duas revistas brasileiras de circulação nacional, em reportagens e cartas de leitores, nos períodos de 1975 a 1979 e de 1996 a 2000. O método utilizado foi a análise de conteúdo. Os resultados apontaram para a quase inexistência de menções a tal prática no Brasil. Acredita-se que o fato desta forma de organização de parentesco ser mais comum entre os pobres urbanos, aliado à falta de estudos sistemáticos, fez com que o assunto não fosse considerado relevante ou fosse mesmo desconhecido dos agentes dos media. Salienta-se, por isso, a necessidade de mais pesquisas sobre esta forma tradicional de filiação e, em particular, sugere-se a realização de pesquisas transdisciplinares sobre a saúde mental dos brasileiros que “circularam” por diferentes famílias durante a infância e a adolescência e seus sentimentos e representações em relação a esta prática.

Palavras-chave: filhos de criação, circulação de crianças; imprensa brasileira.

 


Palavras-chave


filhos de criação, circulação de crianças; imprensa brasileira

Texto completo:

PDF


DOI: http://dx.doi.org/10.5380%2Fpsi.v6i2.3308

Interação em Psicologia. ISSN: 1981-8076