A noção de antagonismo na ciência política contemporânea: uma análise a partir da perspectiva da teoria do discurso

Daniel de MENDONCA

Resumo



O artigo tem por objetivo problematizar o emprego da noção filosófica de antagonismo no contexto da Ciência Política. O âmbito teórico-epistemológico é o da Teoria do Discurso, desenvolvida, sobretudo, por Ernesto Laclau e Chantal Mouffe, a partir da já clássica obra Hegemony and Socialist Strategy - Towards a Radical Democratic Politics, publicada em 1985. A noção de antagonismo tem sido empregada por vezes de maneira genérica e imprecisa por esses autores, caso se considere, rigorosamente, seu sentido filosófico. Afirma-se que não somente o antagonismo é responsável pela impossibilidade do fechamento completo dos sentidos de um discurso, mas que o próprio funcionamento auto-referencial de suas estruturas corrobora para uma constante "abertura" discursiva. Forma-se, conseqüentemente, o que se denominará de uma "dupla impossibilidade da constituição discursiva plena" - pela falta e pela abundância.


Abstract


The purpose of this article is to analyze the use of the philosophical notion of antagonism within the context of Political Science. Its theoretical and epistemological framework pertains to the arena of Discourse Theory, as developed primarily by Ernesto Laclau and Chantal Mouffe, starting with their now classic 1985 work, Hegemony and Socialist Strategy - Towards a Radical Democratic Politics. If rigorously considered from a philosophical point of view, the notion of antagonism is sometimes employed by these authors in a generic and imprecise way. We contend that not only is antagonism responsible for the impossibility of a complete closure of the meanings of a discourse, but the very self-referential way in which its structures work maintain a constant discursive "opening". Consequently, what we call the "double impossibility of complete discursive constitution" - due both to what is lacking and what is amply present-emerges.


Résumé


Cet article a pour objectif de mettre en question l'emploi de la notion philosophique d'antagonisme dans le contexte de la Science Politique. Le cadre théorique-épistémologique est celui de la Théorie du Discours, développée principalement par Ernesto Laclau et Chantal Mouffe à partir de l'oeuvre classique Hegemony and Socialist Strategy - Towards a Radical Democratic Politics, publiée en 1985. La notion d'antagonisme est parfois employée de manière ample et imprécise par ces auteurs, si l'on en considère strictement le sens philosophique. On affirme que non seulement l'antagonisme est responsable de l'impossibilité de la saisie complète des sens d'un discours, mais encore le propre fonctionnement auto-référentiel de ses structures renforce une permanente «ouverture» - discursive. Cela crééra donc ce qu'on nommera une double impossibilité de la constitution discursive pleine par défaut et par excès.




Palavras-chave


Ernesto Laclau; Chantal Mouffe; Teoria do Discurso; discurso; antagonismo; agonismo. Ernesto Laclau; Chantal Mouffe; Discourse Theory; discourse; antagonism. Ernesto Laclau; Chantal Mouffe; Théorie du Discours; discours; antagonisme; agonisme.

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Revista de Sociologia e Política. ISSN: 0104-4478 (versão impressa)
1678-9873 (versão online)